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Gilberto Mendes sugere que Mambas parem de competir

O Secretário de Estado do Desporto diz que, sem resultados positivos dos Mambas nas fases de qualificação a provas continentais e mundiais, o que se deve fazer é parar com futebol, reflectir, reestruturar e reorganizar a Federação Moçambicana de Futebol, para que os resultados possam aparecer no futuro.

O mais recente desaire dos Mambas, na fase de qualificação ao CAN-2021, que culminou com mais uma derrota diante do Cabo Verde, esta terça-feira, mereceu um pronunciamento improvável do Secretário de Estado do Desporto, Gilberto Mendes.

O dirigente governamental diz que é preciso fazer qualquer coisa com o futebol moçambicano, porque “assim como está, não pode continuar”.

E não pode mesmo. Afinal, é a sexta vez consecutiva que os Mambas falham presença numa fase final do Campeonato Africano das Nações, depois da última participação em Angola, em 2010. Foram falhadas as participações de 2012, no Gabão e Guiné Equatorial, em 2013, na África do Sul, em 2015, na Guiné Equatorial, 2017, no Gabão, 2019, no Egipto, e mais recentemente para o CAN-2021, que terá lugar nos Camarões.

Por isso mesmo, medidas devem ser tomadas para parar com o sofrimento dos moçambicanos, e Gilberto Mendes tem uma proposta. “Há que repensar e reorganizar a Federação Moçambicana de Futebol, principalmente. A FMF tem que reorganizar toda estrutura”, ou seja, “alguma coisa tem que ser feita”.

O que seria essa coisa? “Temos que ter a coragem de parar e dizer que precisamos de reorganizar o nosso futebol. Precisamos de reestruturar o nosso futebol, de vermos de onde que vamos começar a fazer a mudança e com critérios, para que os resultados possam aparecer”, recomenda Gilberto Mendes, visivelmente frustrado com o resultado dos Mambas esta terça-feira, em pleno Estádio Nacional do Zimpeto.

Aliás, para o Secretário de Estado do Desporto se for para ir a competição é preciso treinar para se jogar, “se não for para ser assim, se calhar é melhor pedirmos para parar e não competir e deixar passar a vez”.

Deixar passar a vez significa, em outras palavras, suspender a participação dos Mambas em competições internacionais por algum tempo, a reorganizar a Federação Moçambicana de Futebol e criar uma selecção ganhadora, com jogadores novos e jovens que dão garantias de futuro.

E é preciso deixar passar a vez para que não voltemos a obter os mesmos resultados alcançados nesta campanha, onde, nos últimos quatro jogos, os Mambas sofreram igual número de derrotas, sendo duas diante dos Camarões, em Yaoundé e Maputo, uma diante do Ruanda, em Kigali, e a última na terça-feira, diante do Cabo Verde, em Maputo.

E a paragem do Moçambola é, também, o principal culpado, já que há dois meses não se joga, depois dos jogadores terem parado um ano e três meses sem competição. Quando o campeonato nacional de futebol retomou, disputou-se apenas quatro jornadas e, novamente ficou suspenso, fazendo com que os jogadores que actuam internamente ficassem sem ritmo competitivo para as provas internacionais.

O Secretário de Estado do Desporto reconhece que foram muitos entraves na caminhada dos Mambas nesta fase de qualificação, até porque “não podemos pensar que tendo ficado dois meses parados, a selecção de Cabo Verde, que até venceu Camarões por 3-1, viria para cá para ser pêra doce”. E acrescenta que “faltou ritmo e foi notório o facto do Moçambola estar parado e agora só podemos nos reerguer e começar a preparar o jogo com Costa do Marfim”.

Até porque o embate diante da Costa do Marfim é já a 31 de Maio, para a primeira jornada do grupo D de qualificação ao Mundial do Qatar, em 2022. O Moçambola, esse, ainda não tem datas para a sua retoma, aguardando a autorização do Presidente da República, Filipe Nyusi.

O PAÍS

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