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Escassez de alimentos desespera a população em Palma na província de Cabo Delgado

Palma, o distrito dos megaprojetos bilionários de gás natural em Cabo Delgado, está a enfrentar uma aguda escassez de alimentos básicos, provocando um desespero na população, que não pode se movimentar por via marítima ou terrestre, devido à insegurança.

Alguns moradores disseram à VOA que, nos últimos três anos, nada colhem no campos agrícolas colheita, por causa da combinação seca e insegurança.

Neste distrito, onde predomina a agricultura de subsistência, a situação foi agravada pela falta de reabastecimento de produtos básicos, na sequência de ataques a viaturas de passageiros e mercadorias no troço Nangade-Palma, a única via transitável depois dos insurgentes tomarem o controle da N380, a principal estrada de asfalto.

Antes, as autoridades tinham proibido a navegação de embarcações artesanais, que geralmente carregavam mantimentos de Pemba, capital da província, para Palma, por receio dos insurgentes se misturarem com a população, o que fez disparar o preço dos poucos produtos que ainda existiam no mercado informal.

Num vídeo posto a circular nas redes sociais na semana passada vê-se a população a disputer espaço para comprar “caracata”, farinha feita à base de mandioca seca, aparentando uam qualidade deplorável.

Especulação

“Esta luta que estão a ver é por causa de comida, o distrito de Palma esta mal” diz um dos interlocutores no vídeo, que pede o levantamento do embargo da navegação dos barcos artesanais para “reabastecer o distrito”.

Na sexta-feira, 26 de Fevereiro, Palma recebeu o primeiro navio com produtos alimentares vindo de Pemba, num esforço do Governo e o conselho empresarial local para acudir a situação, mas os poucos produtos até agora disponíveis são vendidos a um preço especulado até quatro vezes do médio.

“Eu cheguei a comprar uma cebola a 50 meticais (USD 0,6 centavos)” disse à VOA Issa Mário, para quem a escassez de alimentos torna “insustentável” a permanência em Palma.

“Estamos mal nós aqui, não sabemos quando e como será o fim destas coisas todas” disse outra moradora local, que pediu anonimato. “Não há rico ou pobre, todos estamos a passar fome”.

VOA

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