ONG marca 20 anos do homicídio do jornalista Carlos Cardoso

O Instituto para a Comunicação Social da África Austral (Misa-Moçambique) assinalou hoje 20 anos do assassínio do jornalista Carlos Cardoso, considerando o homicídio uma das “piores manchas” da história do jornalismo e da governação em Moçambique.

O assassínio de Carlos Cardoso foi uma das piores manchas da história do jornalismo e governação, e impactou na imagem do país no capítulo das liberdades de imprensa”, refere um comunicado do ramo moçambicano do Instituto para a Comunicação Social da África Austral, o Misa-Moçambique.

Cardoso foi assassinado a tiro dentro do seu automóvel, cerca das 18:30 de 22 de novembro de 2000, a poucos metros do seu jornal (Metical), de onde acabara de sair, numa altura em que investigava o desvio de milhões de euros do então Banco Comercial de Moçambique (BCM).

Para o Misa-Moçambique, Carlos Cardoso foi a “personificação da integridade, cidadania e profissionalismo da classe jornalística moçambicana, cuja profissão coloca a verdade e a justiça acima de quaisquer interesses, a bem de um verdadeiro Estado de Direito Democrático”.

Para assinalar os 20 anos do homicídio do jornalista, a organização não-governamental, em coordenação com o jornal Carta de Moçambique, vai promover, na segunda-feira, um debate subordinado ao tema “Celebrando a vida e obra de Carlos Cardoso: 20 anos após o seu brutal assassinato”, numa iniciativa de amigos e colegas.

Carlos Cardoso foi quem concebeu a ideia de lançar, em 1992, um diário por fax (o primeiro independente no país), enquanto também, ao lado de outros membros do grupo de comunicação social Mediacoop, “preparava cuidadosamente” o lançamento do semanário Savana, o que só veio a acontecer em 1993.

O sucesso do diário foi instantâneo, mesmo numa altura em que não funcionavam muitas máquinas de fax no país, e dezenas de publicações imitaram o modelo, mantendo-se muitas delas ainda em circulação, embora já por correio eletrónico.

Carlos Cardoso, que está entre os jornalistas que mais se destacaram pela investigação em áreas económicas e políticas em Moçambique, nasceu em 1951, na Beira, na província de Sofala (centro).

A sua carreira de jornalista começou na Agência de Informação de Moçambique, onde chegou ao cargo de diretor.

Em 2003, seis pessoas foram condenadas a penas entre os 23 e os 28 anos de prisão pela morte de Cardoso.(LUSA)