Polícia sul-africana usa a força para dispersar protesto contra racismo

A polícia da África do Sul usou gás lacrimogéneo, granadas atordoantes e canhões de água contra centenas de cidadãos negros que se manifestavam à porta de uma escola secundária, numa zona predominantemente branca, foi hoje noticiado.

Segundo a agência Associated Press, o partido da oposição Combatentes pela Liberdade Económica (EFF) organizou os protestos na escola em resposta a uma festa dos estudantes, para a qual terão apenas sido convidados jovens brancos, mas o estabelecimento de ensino alegou que a festa foi um evento privado organizado pelos pais e sobre o qual nada tem a ver.

Os organizadores dizem que a festa estava aberta a todos os jovens que faziam exames no final do período escolar, apesar de estar limitada a 100 pessoas devido à pandemia de covid-19.

O caso acabou por extravasar a limitação geográfica e chegou ao espaço mediático num país com profundas feridas devido ao passado racista, quando um homem partilhou um vídeo da festa, alegando que era só para brancos.

O partido EFF conseguiu uma ordem judicial a assegurar o mais recente protesto na escola secundária de Brackenfell, nos arredores da Cidade do Cabo, mas os manifestantes foram recebidos por uma forte presença policial e de forças de segurança privada, e a polícia respondeu com gás lacrimogéneo, granadas atordoantes e canhões de água.

A polícia disse que só usou estas medidas quando os manifestantes ignoraram uma ordem para não se aproximarem mais da escola, além de um sítio determinado, sendo que alguns dos participantes no protesto estavam armados com machetes, paus e tacos de golfe.

Aproximadamente 80% dos 60 milhões de sul-africanos são negros, mas a maioria deles ainda está na pobreza, 26 anos depois do final do sistema de segregação racial de domínio branco.(LUSA)