Engenheiros culpam empreiteiros pela má qualidade das obras públicas em Moçambique

A Ordem dos Engenheiros de Moçambique entende haver “falta de empreiteiros com técnicos capazes na execução de obras com qualidade e padrões exigidos”. Para a ordem, tal facto constitui a principal razão para a baixa qualidade das obras públicas no país.

Só este ano duas “imponentes” obras públicas mostraram fragilidades ao teste aplicado pela natureza.

Primeiro foi o edifício da filial do Banco de Moçambique que teve o tecto a verter a água das chuvas, na capital de Manica, em Chimoio, facto ocorrido três dias depois da inauguração do edifício pelo Presidente da República, Filipe Nyusi.

E, recentemente, foi o bloco operatório do Hospital Central da Beira, com o mesmo problema, o que trás ao de cima a dúvida sobre a qualidade das obras públicas nacionais.

Para Ibrahimo Remane, Bastonário da Ordem dos Engenheiros de Moçambique, os factos são o reflexo da má qualidade dos técnicos que os empreiteiros contratam para a realização de determinadas obras.
“Muitas vezes os empreiteiros contratados pelos empreiteiros não tem um quadro técnico capaz e podemos ver nas placas das obras que não indicam o empreiteiro responsável”, referiu.

Outro aspecto apontado pelo engenheiro é a contenção de custos, que faz os responsáveis pela obra optarem por material de baixa qualidade e acessível, bem como e eliminação de algum material importante para a obra, o que coloca em casa a qualidade.

O bastonário menciona, igualmente, a corrupção e a falta de testes nos materiais de construção como outros factores que contribuem para baixa qualidade das obras.

“Temos que ter muita atenção neste aspecto da corrupção e nas obras públicas. É muito fácil corrompermos os nossos técnicos e pôr em causa a qualidade por causa da corrupção”, disse.

Na última sexta-feira, a Ordem dos Engenheiros de Moçambique pediu a responsabilização do empreiteiro, do projectista e do fiscal das obras do Hospital Central da Beira, devido a sua suposta má qualidade.

Os engenheiros lamentam que mesmo com disponibilidade para integrarem as comissões de inquérito para a averiguação sobre a qualidade de certas obras, nunca são chamados.

O PAIS