Vítimas em Cabo Delgado têm direito a ter uma história, diz Mia Couto

 

O escritor moçambicano Mia Couto apelou hoje à humanização do relato sobre o conflito armado em Cabo Delgado, norte do país, destacando a história das vítimas, além dos números.

Acho importante que a informação”, através dos órgãos de comunicação social, “transmita não só relatórios sobre as agressões, os ataques feitos por terroristas, mas construa a história das pessoas que estão a ser assassinadas”, referiu à Lusa.

Mia Couto falava na cidade da Beira, centro de Moçambique, onde hoje lançou o seu novo romance “O Mapeador de Ausências”, em que revisita memórias da infância que viveu naquela urbe.

Na altura desenrolava-se a guerra pela independência de Moçambique, hoje os confrontos armados têm outra natureza: em Cabo Delgado ataques terroristas estão a provocar uma crise humanitária sem precedentes, com milhares de vítimas.

“É preciso que essas pessoas tenham direito a ter um nome, a ter um rosto e não aparecerem só como números”, realçou o escritor, acrescentando que “é importante que a gente se conheça” e que “a família” ou “a pessoa que foi morta seja um moçambicano com direito a ter uma história”.

Rebeldes armados classificados como terroristas estão a provocar uma crise humanitária com 435.000 deslocados e 1.000 a 2.000 mortos desde há três anos, em Cabo Delgado, num conflito que se agravou desde janeiro.

Noutro palco, no centro do país, ex-guerrilheiros dissidentes da oposição são suspeitos da morte de cerca de 30 pessoas desde agosto de 2019.(LUSA)