“Armando Guebuza roubou o dinheiro e Filipe Nyusi comeu a Fatia” diz Yaqub Sibindy

 

Segundo o jornal Dossier & Factos escreveu que, o aparente mau clima no seio dos “camaradas” está cada vez mais visível entre Armando Guebuza e Filipe Nyusi, presidente honorário da Frelimo e actual presidente, respectivamente. A relação entre ambos, que antes parecia de “irmãos”, agora está a desgastar-se em plena praça pública. A situação leva a que se preveja uma eventual divisão da Frelimo. Um dos que assim pensa é Yaqub Sibindy, presidente do PIMO.

Ouvido no dia 30 de Setembro, no âmbito do processo “dívidas ocultas”, Armando Guebuza recomendou a Procuradoria-Geral da República a buscar esclarecimentos de quem era ministro da Defesa quando as dívidas foram contraídas. Ora, à data dos factos (2013-2014), essa pasta era ocu-pada por Filipe Nyusi. Este foi mais um episódio que deixou claras as desavenças existentes entre Guebuza e o actual Chefe do Estado. Na Imprensa, redes sociais e não só, já se debatem possíveis consequências desta “guerra” entre os camaradas.

Depois da troca de “farpas” que foi sucedendo nos últimos tempos, a declaração de Guebuza junto à PGR veio confirmar que a relação entre o anterior e o actual Presidente não está saudável, e o assunto tem sido objecto de debate a todos os ní-veis. Desta vez, até partidos da oposição se pronunciaram em torno do mesmo, com Yaqub Sibindy e Miguel Mabote a comentarem sobre a matéria. Yaqub Sibindy, presidente do Partido Independente de Moçambique, não tem dúvidas de que uma das consequências destas desavenças será a divisão dos membros do partido no poder, com as alas pró-Nyusi e pró-Guebuza a ganharem cada vez mais forma. “A finalidade é a Frelimo dividir-se entre Guebuza e Nyusi. Aqueles que apoiam o Presidente ‘mentiroso’ vão ficar com Nyusi, os que apoiam o Presidente ‘ladrão’ vão ficar com Guebuza, e daí poderá sur-gir algum partido da oposição, de membros insatisfeitos com uma das partes”, destacou. Por sua vez, o presidente do Partido Trabalhista, Miguel Mabote, entende que os problemas partidários na Frelimo “aparecem e desaparecem”. Por isso mesmo, acredita que o partido será capaz de os resolver.

“A Frelimo sempre teve desentendimentos ou desavenças, mas sempre consegue resolver. Se tem uma coisa que o partido no poder sabe fazer é resolver seus problemas. Portanto, esta é só mais uma tempestade, e vai passar”, defendeu

O problema que coloca Filipe Nyusi e Armando Guebuza em lados opostos tem que ver com as “dívidas ocultas”, contraídas em 2013, quando estes eram ministro da Defesa Nacional e Presidente da República, respectivamente. No entendimento de Yaqub Sibindy, o “caldo entornou” porque se pretende responsabilizar uma pessoa por um problema de muitos.

“Guebuza roubou dinheiro, sim, não negamos, mas ele não comeu sozinho. Para poder roubar esse dinheiro, os da Frelimo deram-lhe anuência. Ele era o Presidente, mas não era ele quem decidia tudo, aquele dinheiro que Guebuza roubou, o Ministério do Interior “comeu”, o Ministério da Defesa idem; a própria Frelimo “comeu” e muitos outros. E hoje estão a entregar-lhe para pagar sozinho e esperavam mesmo que houvesse paz dentro do partido? Não é possível”, rematou.

Depois de ser chamado para prestar declarações, Armando Guebuza disse, em sede da reunião do Conselho de Estado, que não confiava na Procuradoria Geral da República, uma instituição de administração de justiça que considera estar ao serviço dos actuais detentores do poder político. Sibindy alinha no mesmo pensamento e, por isso, entende que, querendo, Nyusi podia ter evitado que seu antecessor fosse ouvido.

“Nyusi está a fazer-se de esperto agora. A Frelimo consegue manipular tudo neste país, é por isso que não há justiça, não há democracia e não há liberdade. Então, se ele quisesse, teria manipulado a PGR e Guebuza não teria sido chamado para a audiência, mas ele quer a todo o custo livrar-se de Guebuza, por isso está a entregar-lhe assim”, disse Sibindy, acrescentando que “Nyusi não vai conseguir livrar-se dessa; a possibilidade de ele escapar é mínima, porque ele, enquanto ministro da Defesa, se beneficiou daquele dinheiro”.