Primeiro-ministro português condena ataques em Moçambique

O primeiro-ministro português saudou hoje, perante a Assembleia Geral da ONU, o fim do impasse pós-eleitoral na Guiné-Bissau e condenou a vaga de “ataques terroristas” em Moçambique, num discurso em que apelou a um “cessar-fogo” global.

No seu segundo discurso como primeiro-ministro de Portugal, no âmbito de debates gerais da Assembleia Geral das Nações Unidas, António Costa falou na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) como uma organização que contribuiu para “uma ordem internacional fundada em regras e na vontade de cooperação”.

“Saúdo, neste quadro, a superação do impasse pós-eleitoral na Guiné-Bissau, esperando que inaugure um novo ciclo de estabilidade e de prosperidade para o país. E exprimo uma profunda solidariedade com Moçambique, vítima de ataques terroristas e de tentativas de desestabilização das suas regiões a Norte”, declarou.

Na sua intervenção, o primeiro-ministro observou que, apesar da atual pandemia da covid-19, “persistem muitas guerras e conflitos” e adiantou que Portugal apoia o recente apelo do secretário-geral da ONU, António Guterres, “a um cessar-fogo global”.

Neste contexto, o líder do executivo referiu que Portugal contribui com contingentes para sete operações de manutenção da paz e missões políticas especiais”, destacando a participação em missões na República Centro-Africana e no Mali.

“Acompanhamos os esforços da comunidade internacional para encontrar soluções políticas para os conflitos que afligem várias partes do mundo. Entendemos que a solução dos dois Estados é a única capaz de resolver o conflito israelo-palestiniano; que o acordo nuclear com o Irão deve ser preservado e integralmente cumprido por todas as partes; que os processos de mediação e compromisso liderados pela ONU é que permitirão superar as crises profundas hoje vividas na Síria, no Iémen ou na Líbia”, sustentou.

O primeiro-ministro deixou ainda uma referência ao regime de Caracas, frisando: “Apelamos também para uma solução política pacífica e inclusiva na Venezuela”.

Depois, António Costa definiu Portugal como “um país aberto ao mundo, que defende o diálogo e um sistema de regras justas, com estabilidade e previsibilidade”.

“Sabemos onde nos levou, no passado, o caminho do arbítrio, do nacionalismo agressivo e da lei do mais forte”, acrescentou.(LUSA)