Moçambique pediu à União Europeia apoio para treino especializado contra “terrorismo”

O Governo moçambicano pediu o apoio da União Europeia (UE) na logística e no treino especializado das suas forças para travar as incursões armadas de grupos classificados como terroristas em Cabo Delgado, no norte do país.

Opedido consta de um ofício a que a Lusa teve hoje acesso e que foi enviado ao Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, pela chefe da diplomacia moçambicana, Verónica Macamo.

Um porta-voz do Alto Representante da UE para a Política Externa confirmou hoje à Lusa ter recebido a carta do Ministério dos Negócios Estrangeiros moçambicano.

No documento, que data de 16 de setembro, o executivo moçambicano pede a UE “apoios multiformes”, com destaque para a capacitação técnica de pessoal das forças governamentais e a ajuda no equipamento de assistência médica em zonas de combate em Cabo Delgado.

“Tendo em conta a necessidade de reforçar as medidas de resposta militar e segurança, bem como contrapor os avanços dos terroristas e restabelecer a lei, ordem e tranquilidade públicas nos distritos afetados, o Governo considera importante o apoio na área de treinamento especializado para o combate ao terrorismo e a insurgência”, refere o ofício do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique.

O documento pede ainda maior solidariedade da comunidade internacional, alertando para as necessidades das populações afetadas pela violência armada na região.

“O Governo moçambicano apela à comunidade internacional para, de forma contundente e inequívoca, condenar estas forças subversivas e maléficas, bem como manifestar a sua solidariedade às vítimas indefesas do terrorismo no norte de Moçambique”, salienta-se no documento, acrescentando que o executivo “reconhece a dimensão transnacional desta situação”.

No ofício, o Governo moçambicano conclui que “gostaria de contar com o apoio dos deputados do Parlamento Europeu na mobilização da assistência humanitária de emergência a favor de centenas de milhares de vítimas das ações protagonizadas pelos terroristas”.

Numa nota de reação enviada hoje à Lusa, a UE em Maputo manifesta a sua “disponibilidade e prontidão” para prestar apoio ao Governo moçambicano, apontando a segurança e assistência humanitária como prioridades.

“Sempre mantivemos com as autoridades moçambicanas um diálogo franco, quer ao nível nacional, quer setorial, sobre os desafios que o país enfrenta e coordenamos ações diversas através da cooperação bilateral e multilateral”, frisou a nota.(LUSA)