Banco de Moçambique alerta ante ameaça de lavagem de dinheiro para terrorismo

O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, afirmou que a instituição está a trabalhar no sentido de evitar que o sistema financeiro moçambicano seja usado para financiar o terrorismo em Cabo Delgado.

Nesse sentido, Zandamela anunciou que o banco central vai introduzir o Número Único de Identificação Bancária para combater o financiamento ao terrorismo e o branqueamento de capitais.

“Internacionalmente, Moçambique tem que caminhar nesta direção porque o mundo tem uma tolerância muito limitada a países que são vistos como relaxados na área de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo”, realçou o governador do Banco de Moçambique.

Ele avançou que “se nós não conhecermos as pessoas que movimentam dinheiro, fica difícil ajudar as forças de defesa e segurança”, a combater o terrorismo em Cabo Delgado.

Mas o político Raúl Domingos, antigo guerrilheiro da Renamo, diz que neste aspecto “é preciso que os Serviços de Informação e Segurança de Estado (SISE) aprofundem o seu trabalho, para conhecer a logística dos insurgentes porque eles recebem material de algum sítio”.

Por outro lado, Rogério Zandamela reconheceu que os ataques armados em Cabo Delgado retraem os investimentos, mas assegurou que o banco central, em colaboração com as forças de defesa e segurança, está a trabalhar no sentido de garantir que não hajam atrasos na implementação dos projectos de petróleo e gás.

O governante afirmou que “temos uma preocupação com a zona norte de Cabo Delgado e a região centro do país, mas mas há um trabalho conjunto com as forças de defesa e segurança, para assegurar que todos os projectos programados aconteçam na tranquilidade”.

Entretanto, o diretor-executivo da Fundação MASC (Mecanismo de Apoio à Sociedade Civil), João Pereira, defende a construção de uma coesão social como forma de resolver o conflito em Cabo Delgado, realçando que nesse sentido, a comunicação social tem um papel fundamental.

Pereira diz ser necessário usar os órgãos de comunicação social como instrumentos de recolha, análise e processamento da informação “que possa ser relevante, não só na promoção da paz e coesão social, como também para alimentar o sistema de defesa e segurança neste país”.

VOA