Já não há mais brincadeiras não vou poupar mais ninguém homem ou mulher vou atacar diz Nhongo

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O líder dissidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição no país, ameaçou hoje intensificar ações armadas nas principais estradas das províncias de Sofala e Manica, centro de Moçambique.

“Tenho informação que os deputados vão tomar posse. Bem aventurados são eles, mas que saibam onde andar. Eu agora não vou poupar mais ninguém: autocarros de passageiros, homem ou mulher, vou bater. Já não há mais brincadeiras”, disse à Lusa Mariano Nhongo, falando em contacto telefónico a partir de um ponto incerto do centro de Moçambique.

O líder da autoproclamada Junta Militar da Renamo critica a tomada de posse (marcada para segunda-feira) dos deputados da Renamo, enquanto “os guerrilheiros estão no mato a sofrer, sem sapato nem comida”.

“Hoje, deixaram de fora os guerrilheiros e estão a ir tomar posse, o que isto significa?” questionou Mariano Nhongo, acusando a liderança do partido de estar a afastar-se dos ideais do líder antecessor de Ossufo Momade, Afonso Dhlakama, que morreu em 2018.

“A Junta Militar não reconhece os deputados que estão a tomar posse”, disse o líder do grupo, acrescentando que o que está a acontecer com os guerrilheiros da Renamo “não é o que foi combinado nas negociações”.

“Aos empresários que estão aqui dizemos: cuidem das vossas coisas. Moçambique não está bem”, frisou Nhongo.

Sobre a detenção de seis indivíduos alegadamente pertencentes à Junta Militar anunciada pelas autoridades na quarta-feira, Nhongo não os reconhece.

“Se realmente eles são membros da Junta Militar que perguntem a eles sobre a zona onde estou”, afirmou.

Oficialmente, a Renamo tem-se afastado de qualquer ligação com Mariano Nhongo, classificando-o de desertor.

Desde agosto, um total de 21 pessoas morreram em ataques armados de grupos nas províncias de Manica e Sofala, incursões que têm afetado alvos civis, polícias e viaturas, atribuídas pelas autoridades a guerrilheiros do braço armado da Renamo que permanecem na região.

LUSA

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