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Antigamente “dava-se” filho ao marido, hoje o casal adopta

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Quem casa quer casa, e filhos também. Pelo menos é assim, de um modo geral. Alguns casais sonham em encher a casa de herdeiros, vê-los a correr e saltitar pelos cantos. Os planos têm se encaixado ao gosto da encomenda, mas às vezes falham… pregam partidas, causam frustração, obrigam a mudanças.

Antigamente, há muito tempo mesmo, lá no campo, casos desta natureza eram solucionáveis através de tratamentos tradicionais. “Tomava-se remédios, fazia-se alguns rituais até a mulher conceber”, disse a vovó Delfina, natural de Nhamatanda, província de Sofala, ao jornal domingo. Mas, quando a mão humana e os “espíritos” não conspiravam a favor e no meio de tanta dor de cabeça se descobrisse que o “culpado” era a figura masculina, “a família reunia-se e tomava decisões sérias em torno da questão. Algumas vezes, instruía-se a mulher a se envolver com o cunhado para gerar filhos, de forma a consolidar a união, e dar prestígio ao casal”, disse a vovó.Ao que tudo indica, apoiados no que a anciã disse, a tolerância a esta condição (casal sem filhos) no campo era deveras reduzida. “A família ficava muito preocupada, a ponto de sugerir que a nora desse alguma volta”.

Mas, actualmente, as coisas mudaram. A modernidade abre novos horizontes. Os casais que não conseguem gerar vidas pelo seu próprio material genético adoptam-nos, e a vovó Delfina apoia essa ideia: “acho que esta é uma boa alternativa. Pode-se adoptar crianças do mesmo sangue, sobrinhos, por exemplo. Mas, na impossibilidade de ser desta forma, pode-se criar como filho crianças geradas por desconhecidos. O importante é dar amor e receber o carinho e a gratidão dessa criança”, concluiu.

(Jornal Domingo)