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Terceiro maior partido MDM diz que não aceita resultados

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O Movimento Democrático de Moçambique (MDM), terceiro partido parlamentar, anunciou hoje que “não aceita os resultados” das eleições gerais de terça-feira, considerando-as “fraudulentas” e as “mais violentas da história do país”.

“OMDM não aceita os resultados que estão sendo publicados, por estes não refletirem a vontade dos moçambicanos. Nem em sociedades civilizadas se admite este tipo de eleição”, afirmou o secretário-geral do MDM, José Domingos, na parte final da declaração ao país, a partir da sede da delegação do partido, na cidade da Beira, província de Sofala.

O MDM “repudia e está indignado” com a forma como a votação foi conduzida, acrescentou.

Contagens paralelas de missões de observação eleitoral da sociedade civil moçambicana dão uma larga vantagem ao candidato e atual Presidente da República, Filipe Nyusi, e ao seu partido, Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder, na contagem de votos das sextas eleições gerais do país.

Para o terceiro maior partido moçambicano, a votação foi caracterizada por enchimento de urnas a favor da Frelimo, violência contra delegados de candidaturas da oposição, proliferação de boletins pré-marcados, barramento de observadores eleitorais e aliciamento de membros das mesas de voto.

“Não foram observadas, em muitas mesas de voto, condições mínimas para a realização da votação, com segurança”, assinalou José Domingos.

Em muitas mesas de voto, agentes eleitorais e delegados de candidatura da Frelimo evitaram votar nas primeiras horas, fazendo-o mais tarde e várias vezes, sem pintar o dedo com tinta indelével, com a cumplicidade dos presidentes das mesas de voto, acusou ainda ao secretário-geral do MDM.

Essa situação acontecia depois de os delegados de candidatura da oposição terem sido expulsos das mesas de voto pela polícia, alegou José Domingos.

Domingos disse que na Escola Primária Completa de Matadouro, cidade da Beira, os delegados de candidatura da oposição foram retirados à força das mesas, para permitir o enchimento de urnas.

No distrito de Dondo, a Comissão Distrital de Eleições (CDE) recusou a credenciação de 236 delegados de candidatura da oposição, para viabilizar a fraude a favor da Frelimo, declarou.

“Esta estratégia tinha um só fim: facilitar o enchimento das urnas com boletins de voto pré-marcados a favor da Frelimo e do seu candidato”, enfatizou.

Segundo o secretário-geral do MDM, a viciação da votação foi um padrão noutras províncias do país, nomeadamente na Zambézia e Nampula.

Estas eleições, defendeu, “não foram justas, livres nem transparentes e foram as mais violentas e penosas que o país já organizou”.

José Domingos condenou a avaliação feita por algumas missões internacionais de observação eleitoral, que consideraram ordeiro e pacífico o escrutínio, qualificando-as como o “porta-voz do diabo”.

“Esta atitude, no olhar do povo, não passa de porta-voz do diabo, em troca de quê, só eles [os observadores internacionais] é que sabem”, disse Domingos.

Num tom de aviso, o secretário-geral do MDM lembrou que os ciclos de violência armada que Moçambique têm origem na contestação aos resultados eleitorais.

“Os moçambicanos têm vivido, ciclicamente, de eleição para eleição, confrontos militares, devido à má gestão dos processos eleitorais”, afirmou.

A declaração de repúdio do MDM não teve direito a perguntas e o partido anunciou que vai emitir uma posição final depois da divulgação dos resultados finais pelos órgãos eleitorais.

LUSA