Humorista zimbabueana diz ter sido sequestrada e espancada por críticar Governo

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Uma humorista zimbabueana diz ter sido sequestrada de sua casa, na capital, Harare, e espancada por homens armados e não identificados, juntando-se assim a uma lista de vários críticos do Governo de Mnangagwa a serem agredidos nas últimas semanas.

Num artigo divulgado hoje pela Associated Press, Samantha Kureya, conhecida como Gonyeti, referiu ter sido arrastada nua da sua cama e torturada por homens armados de cara tapada devido a sátiras consideradas antigovernamentais.

“Estou a viver com medo”, declarou, queixando-se de “dores graves” nas suas pernas e costas.

Kureya afirmou que homens, que se assumiram como agentes da polícia, a retiraram de casa, a agrediram com chicotes e a obrigaram a beber de um canal de esgoto.

De acordo com a mulher, os seus sequestradores obrigaram-na a despir-se e advertiram-na para deixar de satirizar o Governo, antes de a abandonarem.

Kureya admitiu já ter sido ameaçada nas redes sociais.

A sua mais recente sátira ridicularizou agentes de segurança por agredirem manifestantes, incluindo idosas.

As tensões políticas no Zimbabué têm aumentado nos últimos meses, com a economia do país a deteriorar-se fruto de uma inflação superior a 175% desde o início do ano e um crescente descontentamento com o Presidente, Emmerson Mnangagwa.

Mnangagwa substituiu Robert Mugabe há menos de dois anos, prometendo “um novo amanhecer” e uma “democracia florescente”.

De acordo com grupos de defesa dos direitos humanos, pelo menos seis ativistas foram sequestrados e agredidos por alegados agentes de segurança em vésperas de uma manifestação na semana passada. Nessa manifestação, a polícia recorreu à violência para dispersar os manifestantes.

A embaixada norte-americana no Zimbabué e a Delegação da União Europeia para o Zimbabué mostraram-se preocupados, num comunicado conjunto no início da semana, com os relatos de violações dos direitos humanos no país.

Apesar do ataque, Kureya promete que continuará a satirizar o Governo, mesmo com as ameaças promovidas pelos atacantes à sua família.

“É assim que sobrevivo (…), eu não tenho qualquer outro trabalho, além disso, não podemos continuar calados quando as coisas estão tão mal neste país”, concluiu.

LUSA