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Liderança da Renamo deve iniciar rapidamente um diálogo com dissidentes para não ameaçar paz

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Analistas moçambicanos alertaram hoje que a liderança da Renamo deve iniciar rapidamente um diálogo com a ala dissidente da guerrilha do braço armado do principal partido da oposição para evitar que a crise interna se transforme numa ameaça à paz.

Uma autodenominada junta militar da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) anunciou na segunda-feira ter eleito Mariano Nhonga presidente do partido, comunicando ainda que Ossufo Momade não é mais o líder da organização.

Comentando a situação no principal partido da oposição, o jornalista Fernando Lima disse à Lusa que a direção da Renamo deve apostar uma solução pacífica da crise na organização, para impedir que a mesma se torne num perigo à paz no país.

“O rosto da contestação à liderança da Renamo vem de homens armados e que estão na floresta, desde logo, essa fratura pode evoluir para uma ameaça real ao atual processo de paz”, declarou Fernando Lima.

Assinalando que o problema é ainda de foro interno da Renamo, o jornalista defendeu que a direção do principal partido da oposição deve investir no diálogo para compreender as razões da dissidência no seu braço armado.

“Para já, o governo deve se manter expetante e seguir atentamente o que até agora é um problema interno da Renamo, mas encorajando a liderança da Renamo para uma solução assente no diálogo interno”, frisou.

António Boene, jurista e comentador, também defendeu o diálogo entre os vários setores da Renamo, para que a crise no partido não resvale para uma situação de conflitualidade em grande escala.

“Todas as ações geradas por grupos armados põem em perigo a paz e o que se passa na Renamo não é exceção, pelo que esta situação tem de ser acompanhada com atenção”, frisou.

A liderança da Renamo deve procurar compreender as frustrações de membros do seu braço armado, para encontrar as devidas soluções, frisou.

“As declarações dos dissidentes dão a entender que há uma frustração em torno da forma como está a ser gerido o processo de desarmamento, desmobilização e reintegração, pelo que é importante ter em atenção esses dados da equação”, declarou António Boene.

Juma Aiúba, membro da Sala da Paz, uma congregação de organizações da sociedade civil na província de Nampula, norte de Moçambique, considera que a liderança da Renamo deve ter em conta as preocupações da ala dissidente da guerrilha, porque o braço armado da organização foi sempre relevante na vida do partido.

“A Renamo tem uma génese de guerrilha, nasceu e funcionou sempre como uma resistência armada e os guerrilheiros acreditam que é pela força que são ouvidos”, destacou Juma Aiuba.

O grupo, que se descreve como uma estrutura militar da Renamo “entrincheirada nas matas” com 11 unidades militares provinciais, considera que o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional assinado entre o chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, e Ossufo Momade, é nulo, na medida em que, segundo o grupo, Ossufo Mamade não representa a ala militar do partido.

LUSA

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