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Stewart Sukuma decepcionado com indústria musical moçambicana

O músico moçambicano Stewart Sukuma usou da sua conta do Facebook para expressar a sua tristeza com a suposta indústria musical nacional.

Confira abaixo o texto íntegra

O que mais me entristece na inexistente indústria musical em Moçambique, são os paraquedistas que nos últimos anos se atrevem a produzir concertos sem o mínimo de conhecimento e brio na área de produção de espectáculos. Mas o mais grave ainda são os patrocinadores e os padrinhos que arriscam e investem nesses mesmos pseudo-produtores. Ter uma boa ideia ou conceito não significa ter aptidões para torná-lo realidade. Ter dinheiro também não. Sei que alguns vão dizer que estou com inveja e outros dirão que não se dão oportunidades aos que agora comecam. Deixem-me dizer-vos uma coisa: Nesta área não se experimenta, faz-se com conhecimento de causa, porque como em qualquer outra área os riscos colaterais sao enormes e os grandes perdedores não são só os produtores, eles arrastam no desastre artistas, músicos, marcas, investidores e um público que infelizmente pouca capacidade tem de análise, basta que gostem do artista. Vou deixar aqui uma dica, contratem, endossem, ou façam “outsorcing” com empresas ou indivíduos com alguma experiência e que sabem como fazê-lo. Aos músicos/artistas moçambicanos, sejam mais exigentes nos contratos, não deixem que se anuncie um show sem um contrato assinado, sem saberem em que condições vão trabalhar. A quantidade de festivais que temos hoje é brutal, qualquer um hoje tem um festival. Pensou fez!!!! Shows que começam com duas ou mais horas de atraso, mau som, sem parqueamento decente, sem camarins, sem segurança, sem um plano de comunicação e marketing, sem um orçamento, enfim, sem plano absolutamente nenhum. Eu próprio já estive envolvido em situações inacreditáveis, e uma delas, em que fomos “corridos” do palco por músicos estrangeiros na nossa hora de actuação e a produção moçambicana nao reagiu. Muitas vezes a boa vontade de alguns artistas que face a escassez de espectáculos, muita paciência e para não serem os “desmancha prazeres”, fazem figas para que tudo corra bem e até tentam ajudar, mas mesmo assim esbarram com a incompetência e teimosia generalizada misturada com uma arrogância que torna esta indústria insustentável prejudicando o mais profissional dos artistas. Hoje temos empresas com bom equipamento, bons cenários, tecnologia de ponta mas falta-nos responsabilidade, brio, ética e acima de tudo, o respeito pelos artistas e pelo consumidor. Este é um assunto que me preocupa sobremaneira e deveria preocupar a todos, comecando por quem financia, passando pelos ambientalistas e o público que deveria ser o maior beneficiário