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População mata três homens acusados de ataques em Cabo Delgado

Populares de 12 aldeias do distrito de Nangade, norte de Moçambique, mataram na quarta-feira três homens que supostamente fazem parte dos grupos armados que atacam a região e capturaram dois, disseram hoje à Lusa fontes locais.

Segundo a mesma fonte, a população decidiu perseguir os supostos atacantes depois de desconhecidos terem queimado 56 casas entre a noite de terça-feira e madrugada de quarta-feira, na aldeia de Lilongo, em Nangade.

No fim-de-semana, um tratorista da administração de Nangade foi queimado vivo, num caminho da aldeia da Machava, depois de o veículo ter sido incendiado por desconhecidos, quando voltava da mata onde tinha ido apanhar castanhas de caju.

Na mesma altura, duas pessoas foram assassinadas a catana por desconhecidos na mesma zona.

Estas vítimas juntam-se a outras quatro pessoas que morreram também no fim-de-semana durante dois ataques a acampamentos de agricultores em zonas remotas do distrito de Mocímboa da Praia.

Residentes do distrito de Mueda, que ainda não registou nenhum ataque, juntaram-se aos populares de Nangade na perseguição aos supostos atacantes, num gesto de solidariedade.

Os dois distritos estão separados por uma distância de 100 quilómetros.

Fontes locais relataram que uma das vítimas da ação popular é um militar desertor e a outra é um polícia expulso da corporação.

A população incendiou 17 casas localizadas nas aldeias assoladas pela violência, acusando os proprietários de fazerem parte dos grupos que fazem incursões na região.

Desde há um ano, segundo números oficiais, já terão morrido cerca de 100 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança.

(LUSA)