Moznews.co.mz

Álcool e tabaco estão associados ao aumento da incidência da tuberculose

Em declarações à Lusa, no âmbito de um seminário sobre “Tuberculose, Álcool e Tabaco: ligações perigosas”, organizado pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), Raquel Duarte afirmou que a tuberculose tem vindo a diminuir ao longo do tempo, mas lentamente, situando-se abaixo dos 20 casos por 100 mil habitantes.




“A tuberculose tem vindo a diminuir, mas não tem vindo a diminuir ao ritmo que nós gostaríamos ou que queríamos de forma a atingir os objetivos da Organização Mundial de Saúde (OMS)”, sublinhou a responsável pelo encontro.

Segundo explicou, “as pessoas que fumam têm maior risco de estar doentes, têm maior risco de o tratamento correr pior e, uma notícia ainda pior, é que o tabagismo passivo também coloca as pessoas em risco de tuberculose, particularmente nas crianças”.

“O que é preciso é que, além de sensibilizar a população, haja uma abordagem integrada da tuberculose, também prestando atenção a estes comportamentos de risco, como o álcool e o tabaco”, sublinhou.

Sendo uma doença causada por um agente conhecido, que é possível prevenir e para a qual existe tratamento e cura, os investigadores questionam-se porque é que a tuberculose ainda existe.

“O que nos preocupa na tuberculose é que ela ainda exista. Não devia haver casos de tuberculose, por isso devemos continuar atentos à sua redução. Ela tem vindo a reduzir, de uma forma consistente, mas podemos fazer mais”, frisou.




Defende por isso que é necessário atuar “na co-infeção VIH, na resistência e na boa adesão ao tratamento”.

“Mas temos de atuar também, e cada vez mais se dá importância a isso, [quanto] aos determinantes sociais, à pobreza, ao desemprego, à forma como as pessoas vivem e aos comportamentos de risco, como o consumo de droga, de álcool e tabaco”, acrescentou.

A investigadora considera que “só uma abordagem integrada é que permitirá maior eficácia na redução da tuberculose”.

“A tuberculose é curável. O que é preciso é que a pessoa seja diagnosticada atempadamente, de modo a não ficar com sequelas, e faça o tratamento adequado, o tempo todo, para não ter resistências. Porque se houver resistências estamos a perder fármacos e, assim, a ter algumas complicações em tratar a tuberculose”, frisou.

Raquel Duarte é atualmente diretora da Unidade de Gestão Integrada do Tórax e Circulação do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, Coordenadora do Centro de Referência Nacional para a Tuberculose Multirresistente, assessora do Diretor do Programa Nacional para a TB/VIH, para a área da tuberculose, e doente da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Fonte:LUSA/Noticias ao minuto