Não preciso que o FMI me venha dar aulas. Eu estudei na mesma escola

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O vice-ministro moçambicano da Indústria e Comércio de Moçambique garante que a crise, em especial a da dívida, será resolvida com a venda antecipada das receitas do gás.

Enquanto os técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) negociavam no Ministério da Economia e Finanças os contornos da auditoria à dívida pública não declarada, Ragendra de Sousa garantia que Moçambique entra nesta negociação de “igual para igual” e pronto a fazer frente ao “excesso de tesoura” que a instituição liderada por Christine Lagarde queira trazer para cima da mesa. A visita do fundo terminou na quinta-feira, tendo já sido acordados os termos da auditoria e lançadas as bases do programa de apoio.




“Fomos os meninos dos olhos azuis e, de noite para o dia, passámos a ter vergonha”, admite o vice-ministro da Indústria e Comércio, cuja nomeação, há pouco mais de três meses, causou perplexidade por ser visto como um crítico das opções tomadas pelo actual Governo.

Mas o economista, doutorado pela Cornell University, diz que a culpa da crise que o país atravessa é partilhada, sobretudo, com os bancos que aceitaram emprestar o dinheiro que ficou por registar, manchando a credibilidade do país junto dos parceiros internacionais – o que levou à suspensão dos apoios dos doadores. “Será que quem está no Credit Suisse é analfabeto?”, questiona. Um dos caminhos que defende é a venda antecipada das receitas do gás, já que a concretização destes mega projectos tem sido sucessivamente adiada, e diz que é preciso arriscar em sectores cujo potencial está por explorar, como o comércio rural, e mudar o enfoque na captação de investimento estrangeiro. A entrada da Sonae (dona do PÚBLICO) no mercado moçambicano, por exemplo, é “muito bem-vinda”.

 Da: PT

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